Nações Desunidas
«Nações Desunidas» (2025), de Christophe Cotteret. Segue Francesca Albanese, jurista italiana da ONU que denuncia o que Israel faz nos territórios palestinianos ocupados. A ONU nasceu quando a Palestina foi dividida, em 1947. Consegue impedir o massacre em Gaza, ou já não serve? Outubro de 2023: cerco total a Gaza (sem luz, água, comida nem combustível) e um responsável israelita diz que lutam contra «animais». Isso não justifica castigar um povo inteiro. Maio de 2024: cerca de 37 mil mortos, 15 mil crianças. Albanese chama-lhe genocídio e limpeza étnica. Não poupam médicos, jornalistas nem funcionários da ONU. Quem podia parar — o Conselho de Segurança — calou-se. Acusam-na de ódio aos judeus; ela diz que critica Israel pelo que faz, não por ser judeu. Netanyahu, em vídeo antigo, nega aos palestinianos o direito a um Estado. Em 1948 o mediador da ONU é assassinado depois de exigir o regresso dos refugiados. Na divisão, 57% da terra ficou para cerca de um terço da população. Os EUA podem bloquear tudo com o veto. Senadores americanos ameaçam o tribunal: «Se atacarem Israel, nós atacamo-vos.» Dezembro de 2024: o tribunal pede a detenção de Netanyahu, do ministro da Defesa e de um líder do Hamas. A Amnistia Internacional conclui: genocídio. Destrói-se a água, os arquivos, a identidade. Um cessar-fogo é violado (400 mortos). O Reino Unido continua a vender armas. 18 mil crianças mortas. «Tem vergonha, Netanyahu.» Abril de 2025: Netanyahu precisa da guerra para se manter; para muitos israelitas, dois milhões em Gaza «são todas Hamas»; a maioria já não se preocupa. Cartaz: «Não há Auschwitz em Gaza. Mas continua a ser genocídio.» Num comício pedem ficar a viver em Gaza. Na Cisjordânia, soldados usam hospitais para disparar. A agência da ONU para os refugiados palestinianos tem 290 mortos e é «provisória» há 75 anos. O alvo é apagar o direito de regresso. Sete décadas de projeto colonial; mais de 200 mil mortos ou feridos. Desde 2023 a bolsa de Telavive sobe 213% (225 mil milhões de dólares). «Um povo enriquecido. Um povo apagado.» Pede-se o corte de armas. Os EUA querem calar Albanese. A ONU não impediu. A Europa deixa acontecer. Quem quebra o cerco são as pessoas.
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